Abril Verde destaca a relação entre acidentes de trânsito e segurança do trabalho no Brasil

Os sinistros nas ruas e rodovias não afetam apenas os números gerais de mortes e ocorrências no trânsito. Uma parcela expressiva desses casos está diretamente relacionada às atividades profissionais, o que torna o assunto uma pauta importante dentro das ações de saúde e segurança no trabalho.

Dentro da programação do Abril Verde 2026, o Governo de Mato Grosso do Sul realizará, no dia 7 de abril, o seminário “Acidentes no Trânsito Relacionados ao Trabalho: Vigilância, Prevenção e Proteção da Vida do Trabalhador e da Trabalhadora”. O encontro reunirá especialistas, órgãos públicos, profissionais da saúde, trânsito, transporte e segurança pública, além de representantes dos trabalhadores, com o objetivo de discutir soluções e estratégias de prevenção.

Mesmo sendo um evento estadual, o debate envolve uma realidade presente em todo o Brasil e que exige atenção imediata.

Quando o trânsito se torna ambiente de trabalho

Nem sempre a sociedade percebe que o trânsito também é um espaço de trabalho para milhares de profissionais. Pessoas que atuam diariamente nas ruas e rodovias estão expostas a riscos constantes.

Entre os principais trabalhadores afetados estão:

  • Motoristas profissionais;
  • Motociclistas e entregadores;
  • Caminhoneiros;
  • Profissionais do transporte coletivo;
  • Trabalhadores por aplicativo;
  • Operadores de logística e transporte.

Segundo dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Mato Grosso do Sul, aproximadamente 40% dos acidentes de trabalho identificados por monitoramento da mídia estão relacionados ao trânsito, o que evidencia a dimensão do problema.

Esse cenário está ligado a diversos fatores, como:

  • Jornadas extensas de trabalho;
  • Pressão por produtividade;
  • Prazos curtos de entrega;
  • Fadiga e estresse;
  • Falta de descanso adequado;
  • Condições precárias de trabalho e manutenção dos veículos.

Dessa forma, a questão vai além da segurança viária, envolvendo também saúde pública e condições de trabalho.

Crescimento do setor aumenta os riscos

A expansão da logística, do transporte de cargas, do turismo e, principalmente, do trabalho por aplicativos tem aumentado o número de profissionais que passam longas horas nas ruas e rodovias.

Com mais pessoas trabalhando no trânsito, a exposição aos riscos também cresce, tornando ainda mais necessária a criação de políticas públicas integradas entre diferentes áreas.

De acordo com a secretária-adjunta de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, Crhistinne Maymone, esse é um tema que ainda precisa ganhar mais visibilidade nas discussões nacionais. Muitos acidentes registrados apenas como ocorrências de trânsito também deveriam ser analisados como acidentes de trabalho, o que mudaria a forma de prevenção e acompanhamento desses casos.

União entre saúde, trânsito e trabalho

Um dos objetivos do seminário é aproximar diferentes setores para construir soluções mais eficazes. A integração entre saúde, transporte, trânsito e segurança pública pode contribuir para uma melhor identificação dos acidentes e para a criação de estratégias preventivas.

Entre as principais propostas estão:

  • Ampliar a notificação de acidentes relacionados ao trabalho;
  • Melhorar o monitoramento dos casos;
  • Desenvolver ações específicas de prevenção;
  • Fortalecer políticas voltadas a profissionais que trabalham no trânsito.

A gerente de Comunicação e Informação da Coordenadoria de Vigilância em Saúde do Trabalhador, Bel Silva, destaca que dar visibilidade ao problema é o primeiro passo para avançar nas soluções e reduzir os riscos.

Um tema que precisa avançar no Brasil

Quando o assunto é segurança no trânsito, o foco normalmente está na fiscalização, na infraestrutura das vias e no comportamento dos condutores. Embora esses fatores sejam fundamentais, ainda há pouco debate sobre o trânsito como ambiente de trabalho.

Discutir segurança viária também envolve analisar:

  • Jornadas de trabalho;
  • Metas e prazos de entrega;
  • Tempo de descanso;
  • Pressão por produtividade;
  • Modelo de remuneração por corrida ou entrega.

Muitas vezes, o risco não está apenas na estrada, mas nas condições de trabalho impostas aos profissionais que dependem do trânsito para exercer suas atividades.

A campanha Abril Verde reforça a importância de ampliar esse debate e reconhecer que reduzir acidentes e mortes nas vias também passa por repensar a organização do trabalho sobre rodas no país.

Fonte: Site Portal do Trânsito

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